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2026 pode ser o novo 2016?

  • Sophia Garcia
  • 26 de jan.
  • 3 min de leitura

Relembrar é viver, e estávamos com saudades de tempos mais simples.


Nós temos a tendência de romantizar o passado, lembrar com outros olhos as experiências que passamos quando mais novos, principalmente nos anos anteriores da pandemia do COVID-19, quando tudo parecia ser mais leve e mais fácil. Um exemplo disso é o ano de 2016: Fotos com filtros do Snapchat de coroas e cachorrinho, edições “aesthetic” feitas no VSCO, desafios de danças no Music.ly e dominavam a internet; maquiagens com contornos e sobrancelhas fortes inspirados nas Kardashians eram o look do momento e chokers eram praticamente obrigatórias; tudo isso fazia parte da identidade de uma geração que cresceu junto com as redes sociais, quando postar ainda era mais sobre diversão do que performance.


Imagens de 2016 / Reprodução: Internet
Imagens de 2016 / Reprodução: Internet

Na música, 2016 também foi um ano marcante. No cenário internacional, Lemonade, de Beyoncé, redefiniu a narrativa do pop ao misturar gêneros como R&B, country e rock para abordar vulnerabilidades pessoais e a ancestralidade negra, transformando dor em expressão artística. Já ANTI, de Rihanna, representou uma ruptura com a lógica de hits fáceis ao apostar em uma sonoridade mais ousada e experimental — o álbum se tornou um marco ao permanecer por mais tempo na Billboard 200 entre artistas negras. Enquanto isso, Blurryface, lançado em 2015 pelo Twenty One Pilots, seguia em alta, ultrapassando 1,5 milhão de cópias vendidas e conquistando mais públicos ao combinar rock alternativo, reggae e pop rock.


No Brasil, a era KondZilla consolidava o funk como força central da indústria, Ludmilla se firmava como um dos grandes nomes do gênero com o álbum ‘A Danada Sou Eu”. Marília Mendonça começava a transformar o sertanejo ao abrir espaço definitivo para mulheres no segmento com seu primeiro álbum “Marília Mendonça”, batendo recordes de vendas, com mais de 240 mil cópias vendidas.


Álbuns de 2016 / Reprodução: Internet
Álbuns de 2016 / Reprodução: Internet

O retorno desse ano ganhou força no fim de 2025, quando a conta @taybrafang publicou no TikTok uma série de vídeos relembrando como era viver e consumir internet em 2016. As publicações acumularam milhares de visualizações e comentários de usuários expressando o desejo de “voltar no tempo”. Mais do que um gatilho isolado, esses vídeos funcionaram como catalisadores de um sentimento que já estava latente: o cansaço com a internet atual. A partir daí, a hashtag #2016 voltou a circular com força total em 2026, associada a referências de moda, música e hábitos daquele período.


Essas memórias rapidamente se espalharam nas redes e #2016 se tornou um fenômeno. Foram mais de 25 mil postagens no TikTok com a hashtag, de um total de 30 mil, foram feitas nos últimos quatro meses, o que demonstra que 85% do uso da tag foi feito recentemente, além de um aumento de 452% nas buscas do termo no Instagram Reels.


Por que esse retorno?


Visto com os olhos de hoje, 2016 representa um momento em que o conteúdo digital parecia mais espontâneo, menos calculado e sem a obrigação de ser perfeito. A lógica algorítmica ainda não ditava totalmente o comportamento dos usuários, e a produção de conteúdo era mais experimental e pessoal. Esse cenário contrasta diretamente com a internet atual, marcada por estéticas que promovem rotinas idealizadas, corpos irreais, alimentação perfeita e produtividade constante — muitas vezes sem espaço para erros ou vulnerabilidade.


Esse cansaço digital ajuda a explicar o fenômeno. Segundo dados da plataforma global de pesquisa de mercado Toluna, 27% dos brasileiros pretendem reduzir o tempo de tela nas redes sociais, enquanto 64% afirmam buscar mais bem-estar e uma vida mais equilibrada. Ao revisitar 2016, os usuários não estão apenas lembrando de uma estética, mas tentando resgatar valores associados àquele período: espontaneidade, leveza e autenticidade. Nas redes, isso se traduz em um retorno ao conteúdo “imperfeito”, com narrativas mais íntimas, menos produzidas e mais humanas.

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